Pastoral da Terra registra aumento de trabalho escravo e assassinatos na Amazônia
Relatório da Comissão Pastoral da Terra aponta que casos de trabalho análogo à escravidão no campo dobraram no último ano, com Pará, Rondônia e Amazonas concentrando a maioria dos registros.
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou relatório que aponta crescimento alarmante tanto no número de assassinatos de trabalhadores rurais quanto nos casos de trabalho análogo à escravidão na Amazônia Legal. Os dados revelam que a maior parte dos assassinatos de trabalhadores e povos da terra, das águas e das florestas ocorreu na região amazônica.
Violência concentrada na Amazônia
Dos 16 assassinatos de trabalhadores e povos tradicionais registrados no período analisado, a distribuição por estado ficou assim:
- Pará: 7 casos
- Rondônia: 7 casos
- Amazonas: 2 casos
Os conflitos envolvem, em sua maioria, disputas por territórios entre trabalhadores rurais, comunidades indígenas, quilombolas e fazendeiros ligados à expansão do agronegócio e da mineração ilegal.
Trabalho escravo no campo
A CPT registrou aumento expressivo nas denúncias de trabalho em condições análogas à escravidão, com casos distribuídos entre garimpo ilegal, desmatamento e atividades agropecuárias em áreas de fronteira. Trabalhadores aliciados em outras regiões do Brasil são transportados para o interior da Amazônia com promessas de salários que raramente se concretizam.
Organizações de defesa dos direitos humanos cobram maior presença do poder público e do Ministério do Trabalho para fiscalização nessas áreas de difícil acesso.
Povos tradicionais na linha de frente
Além dos trabalhadores rurais, comunidades indígenas e ribeirinhas figuram entre os grupos mais vulneráveis. A pressão sobre seus territórios intensificou-se nos últimos anos com o avanço do garimpo ilegal e do desmatamento, criando um cenário de insegurança que dificulta a denúncia e a proteção das vítimas.
Entidades como a CPT, o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e o ISA (Instituto Socioambiental) alertam que a impunidade nos casos de violência fundiária é um dos principais fatores que alimentam o ciclo de conflitos na região.
